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2010 TOUR - SUPERTRAMP, Lisbon 12 Sept

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Supertramp no Pavilhão Atlântico, Lisboa

Banda britânica aqueceu esta noite a alma dos fãs saudosos. Os êxitos estiveram todos lá, em duas horas de concerto... Faltou só mesmo Roger Hodgson.

A expectativa era muita e os fãs acorreram à chamada em peso. Os britânicos Supertramp voltaram este ano à estrada e uma das paragens foi o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, que assistiu emocionado esta noite a uma prestação competente (por vezes monótona, dizemos nós) da banda de "Breakfast in America" e "Dreamer".

Faltavam dez minutos para a hora marcada e ainda eram grandes as filas, ordeiras, para entrar na sala maior da sala de espetáculos à beira Tejo. Ao nosso lado, alguém se queixava de nunca ter encontrado um cenário assim, "nem no concerto de Santana, nem sequer no dos Metallica", o que denotou desde cedo que a faixa etária que acorreu esta noite ao Pavilhão Atlântico era bem mais elevada que o habitual. A média só seria "estragada" por todos os filhos que acompanharam os pais neste regresso ao passado.

A sala maior do Pavilhão Atlântico estava praticamente lotada quando, 15 minutos depois da hora prevista para o início do concerto, as luzes se apagaram. Tudo a postos para o festim das recordações. O palco bastante simples punha a tónica na música - os Supertramp não estavam ali para brincar. Foram poucas as vezes que as cortinas no fundo do palco se afastaram para a exibição de vídeos e os ecrãs laterais também estiveram desligados boa parte do espetáculo.

"You Started Laughing" abriu o concerto, com a voz de Rick Davies a ecoar pela sala. "Gone Hollywood" manteve o registo calmo de um início a meio gás, com imagens de Los Angeles "by night" a distraírem-nos, entre néons de "Nude girls" e estrelas do passeio da fama. A balança lá foi pendendo entre o rock e o jazz, com muitos solos à mistura (piano de Davies e saxofone de John Helliwell a revezarem-se no protagonismo), mas os aplausos só se tornaram mais intensos quando finalmente o vocalista se dirigiu pela primeira vez à plateia, depois de "Ain't Nobody But Me", para dizer: "Boas noites, Lisboa. Estamos muito felizes por vos vermos de novo. Obrigado por virem. Portugal é um lugar lindíssimo e que comida fantástica têm aqui".

Uma piada sobre bacalhau serviu depois de introdução a "Breakfast in America" que, como todos os grandes sucessos da banda originalmente cantados por Roger Hodgson (que não faz parte desta reunião dos Supertramp), seria apresentado por Jesse Siebenberg. Os aplausos que seguiram não deixavam sombra de dúvida: o público estava a marimbar-se completamente para quem canta, o que interessa são mesmo as canções. Quase de seguida chegaria "Poor Boy", mas ao fim de meia hora de concerto o tédio parecia querer instalar-se (seríamos os únicos a notar?). A melancolia dos grandes solos não matou, mas moeu bastante.

"Não sabia que sabiam cantar! Cantam muito bem", bajulou Davies o público antes de voltar a entregar as vocalizações a Siebenberg, munido de guitarra acústica, para "Give a Little Bit", mais um previsível momento alto do concerto. Em "Rudy", Davies brincou com o piano e levou o comboio a bom porto com ajuda de um coro competente, mas foi com "It's Raining Again" que as emoções voltaram a ficar alvoroçadas.

A harmónica deu um colorido agradável ao gingão "Take the Long Way Home" e já bem perto do final do corpo principal do espetáculo ouviram-se ainda as camadas instrumentais de "Bloody Well Right" (solo de saxofone de Helliwell muito aplaudido), a nostálgica "The Logical Song", que levou o Pavilhâo Atlântico ao rubro, e já depois das apresentações e despedidas um final em alta com "Goodbye Stranger". Aplausos de pé durante alguns minutos seguiram-se, sem esmorecer, até a banda voltar para um curto, mas eficiente, encore.

"School" trouxe a harmónica de volta, mas foi com "Dreamer" que tudo dançou em direcção ao grande final - palmas descompassadas, como é hábito - que aconteceria ao som do épico "Crime of the Century". Revista de uma ponta à outra, a carreira dos Supretramp subiu ao palco esta noite e o público lisboeta agradeceu, saindo de alma cheia (o que importa, afinal, se a voz de Jesse Siebenberg não é tão boa quanto a de Hodgson?).


Texto de: Mário Rui Vieira
Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos

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